A dor da espera não é a mesma dor de quem ouve o problema
Em maio passado. Estava otimista e esperançoso, depois de quase um ano seria atendido por um especialista em hernia inguinal. Fomos festivos. Eu jornalista e ele um médico com vários planos, se reencontrando com Barra Velha. Falamos de amenidades. Politicas, tentei não mostrar ansiedade, afinal a dor na região da virilha/testículos, já durava bem uns 7 anos e se mostrava insuportável em alguns momentos do dia.
Pois sai da consulta classificado como urgência em graus 2, isto é, vai esperar de acordo com a disponibilidade e dependente de vários fatores.
Como? se não é posivel fazer muitas vezes ao dia fazer vários movimentos como uma simples caminhada. Se ficar sentado dói. Se amarrar os cadarços é impossivel, andar de carro torna a viagem um suplicio? Até lavar os pés é complicado?
O jeito era esperar. E demorou.
Em Novembro fui a nova consulta em Penha. Aguardei sentado na espera por algumas horas e quando fui chamado, a hérnia tinha se posicionado no músculo, causando intensa dor. Entrei mancando no consultório. O Doutor de plantão olha para mim, confirma meu nome, e solta esta pérola: Não precisa fingir. Nós vamos lhe operar... Lógico que respondi, como jornalista argumentei e expliquei, mais educadamente do que ele, que não se tratava de fingimento. E mais uma vez sai decepcionado. Foi só mais um "volta para a fila"
Estamos agora atravessando fevereiro. Longos 18 meses depois da primeira consulta. 18 meses mancando e com uma vida descontada pela dor e ainda não há noticia da bendita cirurgia.
As décadas de contribuição previdenciária de pouco valem nestas horas. Os diagnósticos imprecisos de medicos apressados valem tudo. A dor de quem sofre não vale nada.
Ontem fui como jornalista até Balneário Camboriú. Suplicio na estrada. Suplicio nas paradas, suplicio para ir ao banheiro. Suplicio para atar o cordão do sapato.
Porém...
Isso não é urgência para os médicos.