Lepa Radic 17 anos , executada sem derramar úma unica lágrima.

A busca pela liberdade em tempos de guerra

29/01/2026

Lepa Radic 17 anos , executada sem derramar úma unica lágrima.
O trapézio da corda balançava sob o peso da história. Lepa Radić, aos 17 anos, encarava a morte com olhos firmes. Os soldados esperavam gritos, esperavam implorações, esperavam qualquer sinal de desespero. O que receberam foi quietude. Em seguida, ouviram palavras que cortaram o ar com precisão: “Não sou traidora do meu povo. Aqueles que vocês perguntam se revelarão quando tiverem destruído todos vocês, até o último homem.”

Ela parecia jovem demais para carregar responsabilidades tão grandes, mas já havia entendido que existem momentos em que a coragem se torna a única linguagem possível.

Muito antes daquele cadafalso, Lepa caminhava pelos vilarejos e pelos bosques da Herzegovina. Gostava do silêncio das trilhas e do cheiro da terra úmida depois da chuva, e foi nesses cenários que descobriu a força da resistência. Começou ainda criança a ajudar os Partisans, o movimento que enfrentava a ocupação nazista na Iugoslávia. Guardava armas, entregava mensagens, transportava suprimentos. Com 15 anos, carregava explosivos em mochilas que pareciam maiores do que ela, distribuía panfletos proibidos e mobilizava outros jovens. Cada gesto exigia precisão absoluta. Qualquer olhar desconfiado poderia significar o fim.

Lepa se movia com atenção, calculando cada passo, consciente do risco constante. Em várias ocasiões, escapou de grupos de soldados que patrulhavam estradas e vielas. Protegeu civis, guiou famílias apavoradas, conduziu informações essenciais. Aos poucos, sua presença se tornou símbolo de força entre os Partisans. Ela não era apenas mais uma integrante da resistência. Era referência. Era impulso. Era prova de que o medo podia ser enfrentado sem hesitação.

Quando os nazistas finalmente a capturaram, tentaram substituir sua firmeza por submissão. Ameaçaram, pressionaram, ofereceram vida em troca de delação. Lepa permaneceu imóvel diante de tudo. Conservou sua integridade com uma tranquilidade que confundia os interrogadores. Nenhuma promessa de liberdade comprou sua lealdade.

No instante final, a corda tensionou, e o mundo pareceu reduzir-se ao espaço entre o corpo e o chão. Lepa não se encolheu. Permaneceu erguida até o limite possível. Sua vida foi interrompida, mas sua presença permaneceu. Depois da guerra, ruas e escolas receberam seu nome. Livros recontaram sua trajetória. Gerações descobriram sua força e encontraram nela a lembrança de que dignidade é escolha, mesmo quando o mundo desaba ao redor.

Hoje, alguns tentariam enquadrar sua luta em categorias rígidas, como se a história coubesse em definições simplificadas. Lepa lutou pela sobrevivência do seu povo e pela ideia de um futuro possível. Atuou com a convicção de quem entende que liberdade é responsabilidade compartilhada. Sua história permanece nesse lugar onde coragem e consciência se encontram e criam sentido.

Facebook Fagner Oliveira