No século VI a.C., sob o reinado de Cambises II da Pérsia, o juiz real Sisamnes cometeu o crime supremo de aceitar um suborno para proferir uma sentença injusta. Para os persas, a corrupção judicial era vista como uma violação da ordem sagrada do império, e a punição aplicada pelo rei foi de uma brutalidade simbólica sem precedentes: Sisamnes foi executado por esfolamento público. A crueldade, porém, não terminou na morte; o rei ordenou que a pele do juiz fosse curtida e utilizada para forrar a cadeira do tribunal onde ele exercia suas funções, transformando o próprio corpo do traidor em um lembrete físico da autoridade da lei.
O desdobramento mais impactante da lição foi a nomeação de Otanes, filho de Sisamnes, para ocupar o cargo do pai. Ele foi obrigado a sentar-se sobre a pele do próprio progenitor em todos os julgamentos, servindo como um aviso constante sobre o preço da desonestidade. Segundo os relatos de Heródoto, a estratégia funcionou, e Otanes exerceu a magistratura com integridade absoluta. Mais do que uma punição, o ato de Cambises II estabeleceu que a justiça estava acima de qualquer indivíduo e que o custo de vendê-la seria tornar-se, literalmente, a base sobre a qual o julgamento correto deveria repousar.
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