Uma mulher a frente do seu tempo assassinada pelo sistema

Camille Claudel, nascida em 1864 e falecida em 1943, foi esquecida por todos em um hospital psiquiátrico.

12/10/2025

Uma mulher a frente do seu tempo assassinada pelo sistema

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O que ela havia feito?

Chegou a Paris em uma época em que a Escola de Belas Artes era aberta apenas para homens. Por isso, teve que estudar em ateliês de artistas que aceitavam mulheres. Foi assim que conheceu e se tornou amante do escultor mais famoso da época: Auguste Rodin. Eles viveram uma relação intensa, tanto amorosa quanto artística, trabalhando e esculpindo juntos. O Museu Rodin e o Museu d’Orsay ainda preservam belíssimas obras desse período.

No entanto, Rodin a abandonou, pois já vivia há anos com outra mulher. Enquanto ele era amado e respeitado, Camille foi humilhada, esquecida e marginalizada — até mesmo no meio artístico. Passou a viver sozinha, sem confiar em ninguém, e suas obras deixaram de ser vendidas. Seu irmão era o famoso poeta, escritor, diplomata e acadêmico Paul Claudel.

A família decidiu interná-la, considerando que aquela mulher, “moderna demais” para o seu tempo, era uma vergonha. Há cartas escritas por ela a amigos e familiares pedindo ajuda. Durante 30 anos, Camille tentou explicar aos funcionários do hospital a injustiça que sofria.

São testemunhos comoventes, que revelam a lucidez de uma mulher confinada injustamente. Camille Claudel praticamente morreu de fome em 19 de outubro de 1943, em um hospital público francês. Nenhum membro da família compareceu ao seu funeral. Seus restos foram enterrados em uma vala comum.

Hoje, a figura de Camille Claudel foi totalmente reabilitada. Suas obras são expostas ao lado das de Rodin, e um museu dedicado inteiramente a ela — localizado a poucos quilômetros de Paris — mantém viva a memória de uma das escultoras mais extraordinárias de todos os tempos.
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