Mães Suficientemente Boas

Frase cunhada por Winnicott e que estará sendo a base para um olhar direcionado aos filhos quando estão adoecidos

24/09/2025

Mães Suficientemente Boas

Imagem da Internet

Para as mães que sabem a medida de sua necessidade de presença e a hora de recuar na educação de sua prole, é sabido que diante da notícia ou da constatação de um filho doente, a conduta costuma ser a necessidade de ficar por perto, de atender aos pedidos e até de mimar mais do que o costume. 
A comida preferida, o suco açucarado, até o salgadinho ultraprocessado, tudo para que o filho coma alguma coisa, pois beira o insuportável lidar com os vazios. Muitas vezes, a comida preenche nossa sensação de impotência, visto que é preciso aguardar o antibiótico “fazer efeito”, a febre passar, aguardar um diagnóstico, voltar a brincar. 
Em uma sociedade que prioriza a produtividade, muitas mães presenciam caras feias quando precisam informar às suas chefias que estão de atestado para cuidar de seus filhos. Já não basta a preocupação com o filho? Ainda precisam carregar culpa, medos e julgamentos. 
Muitas mães não têm escolha, deixam seus filhos adoecidos com terceiros e vivenciam acidentes de trabalho, como se sempre fossem acidentes, quando a tragédia é anunciada. 
Quem consegue ter concentração e agilidade sem ter notícias da saúde daquele ser mais importante da vida? 
“Se passa tão rápido” como costumam alertar mães de filhos mais velhos, por que a sociedade é tão dura quando as mães só querem estar com seus filhos cuidando para sua recuperação? 
Mães são investidas, socialmente, de culpas diversas, que não ajudam e só somam sobrecarregamentos!
Minhas memórias afetivas de minha mãe cuidando de mim quando adoecia, dão a certeza do amor, da priorização e do cuidado.  
É preciso amor para suportar a dor! Que sejamos mães mais unidas, mais compreensivas com as outras e uma sociedade suficientemente solidária. 

Scheila Regina Boettner
Psicóloga 
CRP/12-03619