Virar o ano no Brasil tem cor, gesto e fé — mesmo que muita gente não queira admitir.

01/01/2025

Virar o ano no Brasil tem cor, gesto e fé — mesmo que muita gente não queira admitir.

Unibvnews.com.br (Vai Alma Preta jornalismo)



Na virada de 31 de dezembro para 1º de janeiro, praias e avenidas se enchem de branco, de pedidos de paz, de sete ondas puladas com esperança. O que poucos reconhecem é que esses rituais carregam a força das tradições de matriz africana.

O branco que simboliza a paz vem de Oxalá. As ondas puladas e as oferendas no mar são gestos de conexão com Yemanjá, mãe dos orixás. O amarelo que promete prosperidade ecoa Oxum, orixá da beleza e das riquezas.

Ainda assim, o mesmo país que celebra esses símbolos segue sendo hostil com quem cultua os orixás de forma consciente e ancestral. Exú é demonizado, terreiros são atacados e a fé negra segue criminalizada. Só no primeiro semestre de 2024, quase 2 mil denúncias de violações à liberdade religiosa foram registradas — muitas delas contra religiões de matriz africana.

Isso não é contradição. É racismo estrutural. É o mito da democracia racial permitindo a apropriação da cultura negra enquanto a violência contra esse povo é naturalizada.

Mesmo assim, o batuque, candomblé e umbanda resistem. Resistiram à escravidão, ao apagamento, à perseguição. Resistiram porque a fé nos orixás sempre foi abrigo, força e sobrevivência.

Que no próximo ano o Brasil não apenas vista o branco, mas aprenda a respeitar a origem da paz que pede.

Via: Alma preta jornalismo